Thursday, April 1, 2010

Ajuda

Hoje dei por mim a pensar que pedir ajuda e oferecer/dar ajuda é uma arte. lembrei-me Da minha prima e nos meus verões passados na aldeia em que a ajudava a preencher tapetes de arraiolos. As primeiras vezes foi a medo. Dizia-lhe coisas do género: "Eu não sei fazer bem o ponto, mas eu queria ajudar-te." "Não te preocupes!" era sempre a resposta," o que tu fizeres já eu não preciso fazer!"
Mas nem sempre acontece assim. Os problemas acontecem quando, aquele que pede ajuda, está a espera de uma coisa que, no fim é diferente do que lhe é oferecido/dado. Em todos os períodos de estágio, durante o meu curso, havia dois items (entre vários) de auto-avaliação e hetero-avaliação. Eram esses items centralizados exactamente no saber pedir ajuda e saber oferecer ajuda.
Pedir ajuda não é só perguntar "podes ajudar-me?" Em também saber avaliar a situação, perceber onde é que eu preciso de ajuda, saber qual é a pessoa mais indicada para me ajudar e informar a pessoa em que acção precisamos de ajuda. A maior parte das vezes não é deixar que os outros façam por nós, mas também pode ser se não tivermos em condições para o fazer.
Oferecer ajuda é sempre simpático. Mas nem sempre útil ou eficiente. Se eu me ofereço para fazer uma tarefa para a qual não estou em condições de a executar não faz o minimo sentido. A ajuda deve ser oferecida conforme as nossas capacidades. Quando vamos ajudar devemos respeitar o plano e o objectivo de quem estamos a ajudar ( a excepção será quando se põe em risco a vida de alguém, nossa ou de terceiros).

Eu achoq ue sou melhor a oferecer ajuda, do que a pedir. Tenho a mania de que consigo fazer sozinha, mas com o tempo vou aprendendo que não faz mal dizer que preciso de ajuda nisto ou naquilo, não sou pior profissional por isso. Se calhar pelo o contrário até sou melhor!

Hoje houve um problema chato relativamente a ajuda. O piso está em quarentena. Os dois serviços estiveram ambos contaminados, de momento o do lado A está livre mas o do lado B ainda se mantém contaminado. Os cuidados no lado A estão muito mais "leves", mas no lado B andam a correr de um lado para o outro.
A coisa mais natural do mundo o lado A ajuda o lado B.
O que correu mal:
- a colega ofereceu-se ajuda para os cuidados de higiene ( que foi o que fez) mas esperavam que cuidasse a senhora o resto do turno;
- Eu ofereci-me para desinfectar camas ( pensei que isso podia de certeza fazer!), primeiro ignoraram-me, depois esperavam que eu também ajudasse a transferir os doentes.
- o material e a roupa foi arrumado por nós porque eles estavam muito ocupados.
- demos ajudar alimentar pessoas.

No final do turno ouvimos que nós estavamos sempre a beber café e que não os ajudavamos!
O ambiente ficou um pouco azedo. Eu reconheço que poderíamos ter feito mais, se também nos tivessem pedido especificamente o que queriam. Tivessem me dito que precisavam de transferir camas e doentes é claro que eu tinha feito. Mas já para desinfectar as camas tive de andar a correr atrás de 3 pessoas a dizer, eu consigo fazer isso, eu estou livre, eu posso ajudar.

Comunicação uma das coisas mais essênciais e uma das primeiras a falhar.

Amanhã vou tentar fazer algo diferente e lidar com a situação de forma mais profissional.


1 comment:

Oficinas RANHA said...

Eu acho que, enquanto não nos sentimos parte integrante do novo serviço temos muita dificuldade em pedir ajuda. Talvez por sentirmos que temos de mostrar a todos que somos de confiança.
No meu serviço observo isso sempre que entra uma colega nova. E eu, há dez anos, devo ter feito o mesmo...
;) Ana Cristina